Redução do efeito de estufa em tempo de pandemia (COVID-19)

Devido à quarentena obrigatória tanto na China, como em Itália, tem-se verificado uma notória redução da poluição e das emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO2).

Sendo Itália, o segundo país do mundo mais afetado pelo surto, a natureza volta a dar um sinal de que, atrás da tragédia, haverá lições a retirar. Tomando por exemplo Veneza, esta cidade recebe cerca de 20 milhões de turistas por ano, o que tem levado o governo local a tomar algumas medidas de contenção tendo em conta os problemas ambientais crescentes, tais como, os canais sujos e com odores desagradáveis, a recolha de lixo insuficiente e o aumento da poluição.

Com a quarentena obrigatória, muitas têm sido as partilhas nas redes sociais dos canais de Veneza, que agora sem turistas, com a população em casa e sem a poluição dos barcos, mostram que as águas da cidade italiana estão cristalinas e cheias de vida animal. Nos inúmeros videos partilhados nas redes sociais, é possível vermos cardumes de peixes e até golfinhos!

A Agência Espacial Europeia registou também uma redução drástica da poluição em Itália, principalmente no norte onde ficam as cidades mais industralizadas, como é o caso de Milão. As emissões de dióxido de azoto, um gás nocivo, sofreram uma diminuição acentuada entre janeiro e março.

Durante o período de duas semanas a China já teve uma redução das suas emissões de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono (CO2) com origem na produção energética, em 25%, o que significa que, em apenas duas semanas , a China teve uma redução de perto de 100 milhões de toneladas de CO2! Esta foi uma análise realizada para o site climático Carbon Brief.

Segundo o Expresso, esta redução das emissões de gases com efeito de estufa justifica-se pelas “(…) quebras na produção industrial e energética, designadamente nas centrais a carvão ou nas refinarias de petróleo, assim como uma redução de 70% nos voos internos, associados a medidas para conter a epidemia.”

As imagens divulgadas pela NASA revelam que as concentrações de dióxido de nitrogénio caíram cerca de 36% face ao mesmo período do ano anterior, aliviando a poluição nas grandes cidades chinesas.

Ontem, 19 de março, a BBC revelou que, na China, os níveis de monoxido de carbono, um gás levemente inflamável, inodoro e muito perigoso devido à sua grande toxicidade, estão 50% mais baixos comparativamente com os valores do ano passado. É estimado que em maio, os níveis de CO2 registados poderão ser os mais baixos desde há uma década.

Com a interrupção de milhares de voos e as quarentenas obrigatórias e voluntárias que dão lugar ao teletrabalho, estima-se que uma série de emissões de gases com efeito de estufa em diversos países siga o mesmo caminho descendente que a China e Itália.

De facto, em Nova Iorque, a Columbia University já verificou que, comparativamente ao mesmo período do ano passado, os níveis de emissões de gases com efeito de estufa causados pelo trânsito da grande metrópole também sofreram uma redução considerável (cerca de 35%).

Neste cenário de pandemia em que vivemos atualmente, inundado de incertezas, medos e isolamento, são notícias de impacto ambiental como estas que alimentam a nossa esperança de vivermos num mundo limpo e sustentável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *