As empresas e a mobilidade sustentável

As empresas e a mobilidade sustentável – ideias-chave

Os países e as cidades estão já a implementar novas políticas e soluções para tornar a mobilidade humana mais sustentável e racional. E esse esforço é complementado com acções de sensibilização e incentivo para que os cidadãos adoptem também melhores comportamentos.

Mas não é apenas o comportamento individual que é parte activa desta mudança: também as empresas, as associações ou as escolas são cruciais para traçar este caminho e discutir soluções inovadoras para reduzir as emissões dos veículos e apostar em novas tecnologias, mais verdes. Discutir, descobrir, desenvolver e, claro, implementar.

A actual pandemia veio demonstrar que há males que têm vertentes boas. Soluções que, ainda há bem pouco tempo, eram recebidas com cepticismo, ou até mesmo antagonismo, por parte de empresários e decisores, acabaram por ser implementadas por imposição da actual conjuntura, surpreendendo muitos pela sua eficácia, pela facilidade com que foram aplicadas e, sobretudo, pelos muito inesperados aumentos de índices de produtividade resultantes.

Mas recuemos um pouco no tempo. Uma vez que não é ainda decifrável como será o novo paradigma da mobilidade pós-covid, e sendo esse um dos grandes debates do momento, aqui ficam algumas ideias-chave para empresas. As mesmas que promovemos desde o início da EcoMood Portugal e que temos abordado nos eventos, organizados em conjunto com a Evolut, a que passámos a chamar ON Mobility.

(Re)pensar / (Re)criar

Aos vários ‘R’ de base da sustentabilidade, como Reutilizar, Reciclar, Racionalizar, Repartir e, sobretudo e consequentemente, Reduzir, na EcoMood gostamos de acrescentar mais dois: (Re)pensar e (Re)criar. Ou seja, pensar de formas diferentes das tradicionais e recriar o que estamos habituados a fazer, de forma criativa.

Utilizemos, então, estes dois ‘R’ nas ideias-chave de mobilidade sustentável para empresas, que lhe vou deixar de forma genérica, em pouco mais que tópicos, para que (re)pense e (re)crie por si, de forma adaptada à sua realidade e à da sua empresa.

Antes disso:

Os Estigmas

Encaremos os 3 principais estigmas que, sobretudo a nível empresarial, são habitualmente associados à sustentabilidade ambiental:

1. Sustentável = Caro

Cada vez mais, este estigma está a ser derrotado pela realidade. Eis um exemplo de (re)pensamento: o Grupo JOYN passou a sua frota de 30 viaturas de combustão para elétricas. E, com isso, está a poupar perto de 150 mil Euros por ano. E, (re)criativamente, ainda encontrou uma nova área de negócio relacionada, a Evolut, que comercializa soluções de carregamento. Para já, que a criatividade não deverá ficar por aí.

Paralelamente, com a massificação de opções sustentáveis, estas vão ficando cada vez mais baratas. Por exemplo, as baterias de 40Ah que a Ecokart utilizava em 2016 custavam 2.400 Euros. As actuais, de 50Ah e mais avançadas, custam 600€. E continuam a baixar.

2. Ambientalmente sustentável VS Economicamente Sustentável

Sendo relacionado com o primeiro, não é exactamente igual. Porque o mais caro pode continuar a ser economicamente sustentável. Mas a percepção de muitos é que é caro demais. E, em alguns casos, admitamos, no curto prazo, antes da tal massificação, até pode ser assim. Só que, como sabem os empreendedores com visão, o curto prazo não é bom negócio. Fica este pensamento: quero um bom negócio para mim agora, ou um que garanta a sobrevivência dos meus filhos e netos?

3. O Sustentável é difícil de Implementar

Este, em várias vertentes, a pandemia encarregou-se de contrariar. Não percamos mais tempo com ele por agora.

A Montante – A Energia

Antes das ideias de soluções, deixo-lhe mais dois pensamentos:

  • Paremos de pensar em produzir energia. Energia é algo que abunda em nosso redor.
    (Re)pensemos: CAPTAR. Solar, eólica, hidráulica, geotérmica, sempre captada, seja qual for a origem.
    E, (re)criativamente: tem ginásio para os seus colaboradores? Coloque dínamos nos aparelhos de exercício, ligue-os a uma bateria e aproveite toda essa energia que está a ser apenas transformada em suor.
  • Auto-sustentabilidade / auto-consumo – tem instalações fabris ou outras de dimensão considerável?
    (Re)pense: cubra-as de painéis fotovoltaicos. E, até, com captação eólica, já vai havendo soluções baratas e muito eficazes. E ligue tudo a algumas baterias. Não tem esse espaço?
    (Re)crie: promova a associação com a sua vizinhança, para captação e armazenamento conjunto. Cada vez mais, a rede deve caminhar para ser um backup, uma reserva de segurança, e não a base fornecedora do sistema.

Posto tudo isto, aqui ficam, sumariamente, as ideias-chave:

As 2 vertentes da mobilidade sustentável nas empresas

  1. O transporte / distribuição – pré-produto e produto
  2. As pessoas
  1. Transporte / distribuição – matérias-primas, mercadorias e serviços
    a. Dê prevalência ao local, ao próximo (de preferência reciclado / reutilizado)
    b. Escolha meios de transporte mais sustentáveis
    – comboio / veículos híbridos e elétricos
    c. Racionalizar e maximizar redes e circuitos
    – (Re)crie: coordene com empresas vizinhas
  2. As pessoas
    a. Deixe de atribuir generalizadamente carro como regalia ou complemento financeiro. Em vez disso:
    – Atribua um valor para utilização de veículos partilhados, de aluguer, de táxi / tvde
    – (Re)crie: Estabeleça acordos com empresas fornecedoras desses serviços
    – Atribua passe social / custeie deslocações em transportes públicos
    – Tenha veículos partilhados internos, por requisição
    b. Tenha veículos de transporte colectivo de trabalhadores (exclusivos ou partilhados com
    c. Promova a partilha de veículos pessoais – dos colaboradores e vizinhos
    d. Premeie a utilização de transportes públicos e meios de mobilidade suave
    – (Re)crie: Prémio Colaborador Sustentável do Mês / Ano
    e. Renove frotas com veículos híbridos (transitoriamente) e, sobretudo, elétricos. E também de mobilidade suave
    f. Converta frotas existentes (que o justifiquem) para híbridos ou elétricos
    – A conversão de veículos a combustão para híbridos e elétricos vai ser uma excelente solução transitória e um mercado global gigantesco. Em Portugal falta evoluir a legislação. Mas disso falaremos noutras ECOnversas
    g. Evite deslocações supérfluas
    – Tele-trabalho
    – Outras soluções (como certames virtuais ou tele-conferências)
    – Convide só os próximos, os distantes poderão participar em streaming ou em diferido.

Esta é uma base de trabalho. De (re)pensamento. Não é para aplicar tudo, sempre, já, nem em todas as empresas. São ideias-chave, hipóteses de soluções. Tópicos que irei desenvolver num próximo artigo para o blog da Evolut. Talvez até, então, já com algumas luzes do que será a nova normalidade pós-covid.

Para já, (re)pense no que pode melhorar, tenha isso como objectivo de curto prazo. E seja criativo. Lembre-se: há sempre opções sustentáveis, o que não há é Planeta B!

Nota: Este artigo está escrito em português de Portugal, sem (des)acordo ortográfico e foi publicado primeiro no site da BlueAuto.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

Autor

António Gonçalves Pereira – Presidente da Ecomood

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *