A história do Miguel e do Bruno

Esta é a história do Miguel e do Bruno. Conheceram-se no trabalho, são ambos professores numa escola secundária em Lisboa. São unha com carne, ainda que com visões da vida quase que diametralmente opostas. O Miguel é mais conservador, pouco dado a mudanças. O Bruno, por outro lado, é mais aventureiro, atento às novas tecnologias. A grande diferença entre os dois é visível na forma como se deslocam para o trabalho.

Contamos-te uma história acerca de carros elétricos

Qual a verdadeira diferença de preço entre um elétrico e um carro a diesel?

Vivem perto um do outro, a uma dúzia de quilómetros do estabelecimento de ensino onde dão aulas. Mas o Bruno entregou-se à nova tendência dos carros elétricos, enquanto o Miguel se manteve fiel aos carros de motor de combustão. Compraram carros juntos, na mesma marca, este ano. O aventureiro ficou-se pelo Renault Zoe, um dos carros elétricos mais vendidos em Portugal, e Miguel optou pela versão mais recente do Clio, a diesel, também ela bastante popular no nosso País.

A jogada ousada de Bruno exigiu um investimento um pouco mais avultado. Ainda mais se tivermos em conta que ambos têm salários semelhantes, na ordem dos 1500 euros por mês. Os carros são idênticos, seguem a mesma linha, e o que os distingue é precisamente o facto de um ser elétrico e o outro térmico. Falando apenas em valores de compra, o Bruno gastou 31,990 euros, enquanto o investimento do Miguel se ficou pelos 21,499 euros. Uma diferença de cerca de 10 mil euros. Á primeira vista, parece que o nosso amigo adepto de carros elétricos ficou a perder. Mas será mesmo assim?

No que diz respeito aos consumos, não existem grandes dúvidas. O Clio do Miguel tem um consumo médio na ordem dos 4.2 litros aos 100 quilómetros. O Zoe, com uma bateria com 52 kwh de potência, tem uma autonomia de 395 quilómetros. Ora, isto falando sempre em médias, o carro do Bruno precisa de cerca de 16 litros de gasóleo para percorrer os 395 quilómetros de autonomia do Zoe. O que significa isto?

Vamos a valores

Seguindo o tarifário Base Luz da EDP, o preço do kwh é de 0.15440. Multiplicando este valor por 52, o correspondente à autonomia da bateria, chegamos à conclusão que carregar totalmente a bateria do ZOE custa 8 euros. Os 16 litros de gasóleo, segundo o valor médio deste produto em Portugal no ano de 2019 de 1,431, fica a 22,90 euros.

Os dois professores fazem sensivelmente 25 mil quilómetros por ano. Transformando isto em euros, o ZOE gasta 506 euros por ano em eletricidade, enquanto o Clio chega aos 1,449 euros. Uma diferença muito próxima dos mil euros. Fica evidente que em 10 anos a diferença dos 10 mil euros na compra do veículo, seria dissipada. E isto apenas com o custo com o reabastecimento dos veículos. Existem, no entanto, outras variáveis que dão mais força à escolha pela opção elétrica.

Os carros elétricos, por exemplo, não pagam IUC, o Imposto Único de Circulação que é de pagamento anual. O Clio do Miguel paga 146,90 por ano. Uma outra variante a ter em conta é o custo do estacionamento em Lisboa. Os dois amigos precisam de estacionar o carro nas ruas da capital quando vão para o trabalho e reside aqui uma outra grande diferença entre os dois.Os carros elétricos são isentos e pagam apenas 12 euros por ano por um dístico que lhes permite estacionar gratuitamente em qualquer zona verde da EMEL. Já o Miguel, com o seu Clio, paga 35 euros por mês por um lugar num parque desta empresa municipal, o que no final do ano tem um custo total de 420. Isto sem contar com estacionamentos ocasionais em outros locais da cidade.

Não menos importante é a diferença na manutenção entre os dois veículos. Os carros elétricos têm um custo de manutenção bastante inferior em relação aos veículos com motor de combustão.

Desde logo porque não usam óleos do motor, filtros nem correias e o desgaste dos travões também é menor. Também os pneus têm uma maior longevidade.

Tudo somado, é aconselhável que um carro elétrico faça a sua revisão a cada 50 mil quilómetros. No carro de motor a combustão a revisão é bastante mais dispendiosa, pelos factos levantados em cima, e deve ser feita a cada 10 mil quilómetros.

Pegando no exemplo dos nossos amigos, que fazem 25 mil quilómetros por ano, percebemos que o Bruno faz uma revisão a cada dois anos. Durante esse mesmo período, o Miguel já fez quatro revisões. Ora, uma revisão de qualidade para um carro de motor de combustão, que inclua mudança de óleos e filtros, deve ficar na ordem dos 120 euros, o que significa, no caso do Miguel, um investimento de 240 euros por ano. Já o Bruno, por outro lado, gastará apenas 60 euros e somente no período de dois anos. Isto porque no seu caso a revisão deverá ficar a metade do preço, por não envolver as mudanças necessárias num carro de motor de combustão, mencionadas acima.

No que diz respeito a seguros, os valores não variam muito, pelo que não faz sentido entrar nestas contas. Ainda assim, importa salientar que se vê neste mercado que as seguradoras estão empenhadas com promoções para carros elétricos. Isto por se tratarem de uma novidade no mercado e, por isso, novas oportunidades de negócio. De aproveitar, portanto.

Se somarmos todas estas variantes, percebemos que a opção do Miguel, que parecia inicialmente mais vantajosa, representa um custo anual superior em cerca de 1700 euros.

Os valores foram, em grande parte, medidos por baixo, pelo que não será surpreendente se a diferença chegar perto dos 2 mil euros (ou até mais). Por este valor, a diferença na aquisição do veículo estaria batida em apenas cinco anos. Se a isto somarmos o bem que o Bruno faz ao ambiente com esta sua opção, será que ainda existem dúvidas de quem saiu a ganhar nesta história?

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