Crise Climática – Carros elétricos “compensam” o CO2 da bateria ao fim de um ano

Carros eléctricos “compensam” o CO2 da bateria ao fim de um ano

Ainda pensa que um carro elétrico polui mais do que um carro a combustão? Partilhamos este artigo do Público sobre um estudo da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente que desmistifica totalmente um dos maiores mitos da mobilidade elétrica.

Fonte: Público – https://www.publico.pt/2020/04/20/economia/noticia/carros-electricos-compensam-co2-bateria-fim-ano-1912936

“Um dos mitos em torno das emissões de dióxido de carbono (CO2) dos carros é o de que os carros eléctricos podem ser piores do que os convencionais, por causa da produção, uso e reciclagem de baterias. Porém, o mais alargado estudo feito até ao momento vem desfazer definitivamente este mito.

Um trabalho que é publicado hoje em todo o mundo pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E na sigla inglesa) mostra que, mesmo no pior dos cenários, um eléctrico pouparia 22% a 28% de CO2 face a alternativas semelhantes com motor diesel ou a gasolina. Outra conclusão relevante: uma bateria eléctrica “paga a sua dívida de CO2”, ou seja, os gases emitidos durante a produção, no período de um ano. Ou até menos.

Com a economia mundial em paragem abrupta, estes dados reforçam um pedido aos governos: é preciso sair da crise com um impulso mais forte na mobilidade eléctrica. Por uma vez, produtores e ambientalistas estão de acordo de que Portugal precisa de um plano de incentivo ao abate de carros velhos e de reforçar os apoios à compra de eléctricos.”

“Poupança chega aos 68%

Até agora, os estudos científicos diziam que o CO2 gerado pela produção de baterias se pagaria em dois anos. Na melhor das hipóteses, num ano e pouco, em países cuja electricidade vem de fontes renováveis. Agora, este novo estudo mostra que, mesmo em redes eléctricas de média intensidade de CO2, uma bateria eléctrica “compensa” as emissões num prazo ainda mais curto.

Feitas as contas a todo o ciclo de vida, os eléctricos superam os convencionais em todos os cenários. Até mesmo em redes eléctricas intensivas em carbono, como o caso da Polónia. Mesmo com bateria produzida na China, um eléctrico na Polónia poupará 30% de CO2 face ao diesel e à gasolina.”

Federação Europeia dos Transportes e Ambiente

“Este é o pior cenário, para carros de dimensão média (tipo VW Golf). No caso português, a poupança será de 66% e 68% face ao gasóleo à gasolina, respectivamente. E no melhor cenário, em que a bateria é europeia e o carro é usado num país com produção de electricidade de baixas emissões como a Suécia, a poupança face ao diesel chega aos 80% (81% face à gasolina).”

“Para compras em 2020, um eléctrico de tamanho médio produzido na UE emite cerca de 90 gramas de CO2 equivalente por quilómetro (CO2e/km), ao passo que um diesel emitirá 234gCO2e/km e um a gasolina terá 253g/km. Ao longo de todo o ciclo de vida, isto dá respectivamente 20 toneladas, 53 e 57 toneladas de CO2”, salienta a T&E neste estudo de 33 páginas. “Em média, um carro eléctrico emitiria menos 2,7 vezes a quantidade de CO2 comparado com um carro convencional em 2020.” E para compras em 2030, com simulações já disponíveis, as poupanças de CO2 são ainda mais significativas, porque a electricidade será cada vez mais “descarbonizada” e a tecnologia dos eléctricos “tem muito por onde evoluir”.